Francisco de Assis (1181–1226) não era teólogo de formação, mas sua oração captura com precisão extraordinária a essência do Evangelho vivido.
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
onde houver discórdia, que eu leve a união;
onde houver dúvida, que eu leve a fé;
onde houver erro, que eu leve a verdade;
onde houver desespero, que eu leve a esperança;
onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar do que ser consolado,
compreender do que ser compreendido,
amar do que ser amado,
pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
O paradoxo franciscano
A segunda parte da oração contém um dos paradoxos mais profundos do Evangelho: para receber, dê; para ser perdoado, perdoe; para viver, morra ao ego. Francisco descobriu que a vida centrada no "eu" é, paradoxalmente, a mais vazia.
Como usar esta oração no dia a dia
Reze-a antes de encontros difíceis, conversas tensas, ou situações onde o amor parece impossível. Não como fórmula mágica, mas como orientação do coração: "Que eu seja instrumento — não protagonista."
